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Cultura Dance Music Em Declínio Em Londres
Amigos do TA. Li essa reportagem da BBC e gostaria de dividir com voces. Acho que vale a pena abrir uma discussão aqui no Forum.
O que acham?
CULTURA DANCE MUSIC EM DECLÍNIO EM LONDRES
HELENA CARONE da BBC, em Londres
Os clubes noturnos de Londres estão mudando. As novas tendências são uma resposta a um novo tipo de clubber. Os frequentadores da noite londrina continuam, como sempre, querendo dançar, azarar, e se divertir, mas também exigem conforto.
Os clubbers que fizeram da dance music dos anos 90 um estilo de vida jovem --com influência na moda, no comportamento e no consumo de drogas mundo afora-- já estão na faixa dos 30 anos, ligeiramente cansados de quase 15 anos de festas tipo rave em grandes galpões suarentos.
Balzaquianos afluentes, eles agora esperam poder reservar mesas; encontrar sons mais variados do que a batida hipnótica da dance music; e preferem dançar movidos a coquetéis elaborados ao invés de turbinados por comprimidos de ecstasy.
De tempos em tempos, a imprensa especializada gasta espaços consideráveis proclamando a morte-disso-e-o-surgimento-daquilo.Desta vez, números e fatos sustentam a tese. A principal revista de clubes do Reino Unido, a Mixmag, sofreu uma queda de 30% nas vendas, no último ano; e o precursor dos superclubes, o Ministry of Sound, teve que passar por uma recauchutagem de um milhão de libras esterlinas (quase R$ 5 milhões) depois de 12 anos de existência, para acompanhar a mudança dos tempos.
"Precisamos atender a um mercado que já existe há 15 anos juntamente com outro ainda bem jovem", explica Kelly Hughes, assessora do Ministry of Sound, ou MoS. Ok, traduzindo: "Continuamos oferecendo as coisas essenciais que tornaram o clube famoso, como um grande salão com o fantástico sistema de som, três ambientes com diferentes gêneros de house music, mas também recriamos o andar de cima, aumentamos a sala VIP, agora temos um amplo mezzanino, servimos coquetéis, temos garçonetes à disposição e os clubbers podem fazer reserva de mesas por telefone", conta.
Kelly diz que "as pessoas querem coisas diferentes de uma noite no clube, elas não necessariamente dançam mais por 12 horas sem parar".
Comercializou, dançou. O colunista Alexis Petridis, do jornal "The Guardian", especializado em clubes, diagnosticou em artigo recente o que ele considera a causa da morte lenta dos superclubes de dance music.
"A dance music começou numa explosão de idealismo igualitário alimentado por drogas, que lembrava o movimento hippie dos anos 60."
"Mas, rapidamente, tornou-se um esquema implacável pra fazer grana, marcado por um cinismo descarado", diz ele.
Petridis refere-se à indústria de subprodutos que passou a cercar o cenário clubber, como compilações de CDs e linhas de roupas de estilo duvidoso com o logotipo do clube. Isso, sem falar numa geração de disc-jóqueis que conquistaram status e salários de superstars. Gente como Fatboy Slim, Judge Jules e Pete Tong.
DJs milionários
O livro "Guinness" registra que, em 1999, o DJ de maior cacife no mundo, o britânico Paul Oakenfold, chegou a faturar o equivalente a R$ 3,5 milhões. Desmerecidamente, na opinião do crítico. "Ele ganhou esta quantia tocando disco dos outros. É surpreendente que as pessoas tenham caído nessa por tanto tempo." "Mas, na virada do milênio, contratar um DJ superstar ficou tão caro que os ingressos para os clubes ficaram proibitivos", diz Alexis Petridis.
Declínio da cultura dance.
Teve clube cobrando entrada de até 150 libras esterlinas (cerca de R$ 750). Aos poucos, clubes, selos de gravadoras e publicações foram fechando ou reduzindo suas expectativas a patamares mais modestos.
Super DJs deram lugar a ilustres desconhecidos, ou, como preferem alguns, novos talentos emergentes. Petridis não tem dúvidas: "Como cultura jovem, o cenário da dance music parece em declínio terminal".
Tem salto alto na pista
Um outro fator contribuiu para este quadro: o surgimento dos bares com DJs, onde a moçada descobriu que pode beber, azarar e dançar em ambiente mais íntimo e infinitamente mais barato. Esses bares, assim como novos clubes mais sofisticados têm um grande apelo junto ao público feminino. Elas querem um ambiente iluminado o suficiente para poderem exibir modelitos da moda e pistas seguras o bastante para dançarem em saltos agulha altíssimos. Já se cunhou até a expressão "boutique clubs". Menores e cheios de estilo.
Veterano se recusa a morrer
Kelly Hughes, do Ministry of Sound, acha uma bobagem decretar a morte dos superclubes. "Nós somos o exemplo vivo de que isto não é verdade. Estamos tão ocupados que temos que barrar gente na porta por causa da lotação", afirma ela, contabilizando uma frequência de 6.000 "clubeiros" por semana. Mas Kelly reconhece que a batida eletrônica anda perdendo espaço nas pistas de dança: "Acho que estamos passando por uma fase mais convencional."
"As pessoas se voltaram para o rock, um som mais comercial. Mas, mesmo que esteja por baixo, no momento, a house music urbana vai voltar. Definitivamente", aposta ela.
Enquanto isso, clubes/bares que adotaram um novo formato para os novos tempos fazem barulho na noite londrina: Cherry Jam, Neibourhood, Chibuku Shake Shake... anote aí.

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