|
a morte do penssamento
esse texto foi tirado de um blog de um cara aila de belem q critica os jovens de la...
A cidade dos alienados 3 - Sorria, você está sendo alienado!
A nossa história começa em um lugar não muito distante, conhecido como A cidade dos alienados. O tempo é o presente, que se faz passado a cada segundo. Os olhos serão do nosso velho amigo, conhecido como Você.
Você é um cara conhecido, no passado já foi alvo de outras histórias. Já dançou nos diversos carnavais que Belém possuía, já curtiu muitas baladas na Cidade dos alienados com seus amigos, Todomundo e Ninguém e agora está pronto para se adaptar às novas formas de alienação.
Para começar, Você faz um Fotolog. Seu amigo de longa data, conhecido como Todomundo já tem um Fotolog e como Você se espelha bastante em Todomundo e se importa muito com o que Todomundo diz, faz um também. Agora Você tem um espaço na Internet, uma rede de alta tecnologia que permite a comunicação e trânsito de dados entre pessoas do mundo todo, a mais avançada tecnologia da informação, para... Para que mesmo? Ah, sim... Colocar milhares de fotos suas, em vários momentos vazios de sua vida, para tentar assim preencher a solidão que Você sente por dentro. Para assim alimentar o ego, a necessidade de auto-afirmação neste mundo onde Todomundo se encontra na Internet, mas Ninguém se comunica de fato, no mundo real. Os comentários que os outros deixam são espetaculares. Tantas palavras e nada a ser dito. O puro paradoxo da modernidade, e ainda fazem isso normalmente utilizando um linguajar intrigante. Abandonam quaisquer tipos de regras de sua língua natal ou simplesmente ¿falam axim como xi focem bebexinhos acéfalos e imbexis¿. O mais engraçado de tudo é ver gente colocando fotos com cara de mau e logo abaixo fazendo comentários nessa linguagem de bebê retardado.
Logo após publicar alguma foto imbecil no Fotolog, Você liga para os amigos para saber qual a próxima Rave. Como na Cidade dos alienados a palavra Rave é utilizada para qualquer festa onde exista uma pseudomúsica eletrônica e um pequeno bando de acéfalos drogados, com certeza há muitas opções sempre.
Sabe-se que a música eletrônica é rica, tem um longo histórico, desde o aparecimento do Kraftwerk até as vertentes do Dub na Jamaica, passando pelo industrial e que as verdadeiras Raves do início da década de 90 na Europa possuíam bases sólidas e intenções interessantes, porém o que se ouve hoje na Cidade dos alienados é o que existe de pior e menos musical, dentro do que é conhecido como música eletrônica. Mas Você não se importa, Você só começou a ouvir mesmo porque é a nova moda da sua cidade e esse papo de ideologia musical é algo complicado demais para Você entender.
Ah, como era mais fácil o tempo que bastava usar um abadá e um short qualquer para sair pra farra. Agora Você tem que se preocupar bem mais com suas roupas, gastar muita grana na loja hype da cidade para ficar na moda. Muitas cores, muito vazio. Finalmente a geração Xis se assume, entende que é vazia, que não faz nada para mudar a situação de um planeta à beira do colapso biológico e ainda comemora!
Depois de definir qual será a Rave deste final de semana, é chegada a hora mais importante: a de comprar o ecstasy. Você há muito tempo não consegue se divertir sem esta bela droga, esta liberadora de serotonina, o hormônio da felicidade, que existe naturalmente em seu corpo, mas este não consegue mais produzi-lo satisfatoriamente porque agora está completamente dependente desta felicidade química. Sem ela, Você não é nada. Ninguém deixa de usar essa droga, mas Todomundo usa. Claro que Você não poderia ficar de fora.
Depois de gastar uns bons reais com o caro ingresso da ¿Rave¿, economizados da mesada dos pais a semana toda, torra um bom dinheiro comprando muitas pílulas, já que apenas algumas não fazem mais efeito. Você nunca se questionou dos efeitos em longo prazo do uso dessa droga, Você nunca se questionou a respeito da proveniência destas drogas e de suas adulterações, que as tornam ainda mais perigosas; Você não perde tempo se questionando.
Já na Rave, encontra os amigos de sempre, comenta sobre as novidades de seu fotolog e Você se vangloria do quanto é uma pessoa chapada, entorpecida. Dança repetitivamente, uma dança exatamente idêntica a de todas as outras pessoas, jogando as mãos para frente e pra trás e realmente se acha diferente e único, suando como um porco, bebendo água desesperadamente e se orgulhando em mostrar a todos o quanto está drogado, perdido do controle do que temos de mais importante, a nossa mente. Exatamente como todos ali. Como um labirinto de espelhos partidos, refletindo o nada.
Enquanto Você dança roboticamente a nova dança dos alienados, Cabecinhadevento, uma amiga do passado, te encontra. Cabecinhadevento continua a mesma, mas agora, devido ao intenso uso de ecstasy, mesmo que ela quisesse, não conseguiria preencher o vazio de sua mente seqüelada. De qualquer forma, ela ainda sabe fazer o que faz melhor, ser fútil, e beija Você, deixando a contagem da noite um pouco mais alta.
Depois da quinta bala, com o corpo à beira de uma sobrecarga de temperatura, as alucinações são mais fortes. Algum amigo perdido diz que Você chegou ao ponto de expandir a mente. Como se a ilusão fosse algum tipo de expansão. Como se esta simulação pudesse retratar a verdadeira expansão da mente. Ir além da razão não é algo que se alcance com subterfúgios químicos artificiais. Mas Você acredita e toma a sexta pílula e antes de apagar completamente, lembra apenas dos alienados pulando e pulando e gritando jargões do tipo: ¿nunca dormir, nunca dormir!¿, enquanto um sol pálido e belo se levanta para iluminar a juventude perdida, girando em uma espiral decadente...
Cérebros queimados, vidas sem sentido, fraqueza moral, entorpecimento anímico.
Você acorda, é hora de ir pra casa... De volta à solidão, de volta à realidade. Esperar o próximo final de semana. Perder-se novamente. Tentar fugir novamente. Esquecer do fracasso de uma vida tão bela, que poderia ser tão útil, tão harmoniosa, mas desperdiçada pelo hedonismo irresponsável do imediato.
A jornada continuará, Todomundo continuará sem se importar e Ninguém, Ninguém sempre chorará por todos.
Esquecer, esquecer...
Uma bala por um cérebro; vai querer?
(Andrei Simões)
tirado de:http://www.mortedopensamento.blogge...01_archive.html
___________________
Dunno what to put here.
|