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Vou largar o alface pra escrever mais 
História do Rio de Janeiro
No dia 1º de janeiro de 1502, navegadores portugueses avistaram a Baía de Guanabara. Acreditando que se tratava da foz de um grande rio, deram-lhe o nome de Rio de Janeiro, dando origem ao nome da cidade. O município em si foi fundado em 1565 por Estácio de Sá, com o nome de São Sebastião do Rio de Janeiro, em homenagem ao então Rei de Portugal, D. Sebastião.
Duzentos anos adiante, em 1763 o Rio de Janeiro tornou-se a capital do Brasil, título que manteve até 1960, quando foi inaugurada Brasília, a atual capital do país.
Devido às guerras napoleônicas, a família real portuguesa transferiu-se, em 1808, para o Rio de Janeiro, onde em 1815 o Príncipe Regente D. João VI foi coroado Rei do Reino Unido do Brasil, Portugal e Algarves.
A cidade do Rio de Janeiro foi, por durante metade de sua existência, capital do Brasil e, há apenas 200 anos, a família real portuguesa lá desembarcava. Esses dois fatores já seriam explicação para qualquer Rio-centrismo. Por ser a cidade mais importante do país por 200 de seus 500 anos, esse sentimento de "ser o 'coração' do Brasil" é completamente explicável, já que todas as decisões vinham de lá; a cidade se encaixava perfeitamente nos estereótipos que uma família real européia teria de um país tropical (clima quente, praias e "sexualidade aflorada" já que eles não tinham a cultura pura européia) e que depois seria visto por diplomatas e outras comissões estrangeiras. Ou seja, o Rio de Janeiro tinha um marketing violento por ser o lugar certo na hora certa. Ainda que o que ocorresse em outras áreas representasse melhor a cultura de uma maior quantidade de brasileiros, o Rio de Janeiro recebia toda a atenção.
A economia da cidade foi impulsionada a partir do século XVII pelos ciclos da cana de açúcar, do ouro e do café. Hoje, o Estado do Rio de Janeiro é, após São Paulo, o segundo pólo industrial do Brasil, está entre os primeiros do turismo, além de ser o principal centro cultural do país e importante centro político.
Centro cultural mais importante do país? Vejamos, Brasília (hehe) é a capital do rock nacional; São Paulo é a capital da música eletrônica , de uma 2a onda de MPB e até mesmo do pagode (ou o que chamam de glitter pagode... aquele pagode meloso); Goiás é a capital da música sertaneja; os nordestinos até hoje se debatem sobre qual a capital do forró; a Bahia também tem lá as coisas dela; com base em quê o Rio é o principal pólo cultural? Pela Bossa Nova de algumas décadas atrás? Pelo carnaval que, em tamanho, proporção e duração, nem se compara às festas juninas do interior do país? Bom, pelo menos o funk carioca é engraçado (e o melhor funk que eu já ouvi veio de Niterói, hehe).
Poderíamos dar algum crédito ao cinema do Rio, se não fosse tão Rio-centrista e estagnado (tinha alguma necessidade pra lançar "Cidade de Deus" e banalizar um problema tão sério? Digo, além de mais uma vez mostrar aos gringos aquilo que eles querem ver) e a Globo. Mais uma vez, não é uma questão de importância (já que há outros ótimos filmes feitos fora do Rio), mas de popularidade. Eles ainda têm o glamour da época em que o Rio era a capital, a Globo é a 4a maior companhia de TV do mundo... e olha que eles já montaram estúdios em São Paulo.
O Rio não é mais o maior pólo econômico do Brasil. A Bossa Nova não é mais o gênero mais popular das rádios. O Maracanã tá caindo aos pedaços. Mas eles ainda tem o Cristo Redentor, o Pão de Açúcar, Ipanema e Copacabana.
É uma pena. O próprio estado do Rio tem coisa muito mais interessante, como Petrópolis. O povo de Niterói parece muito mais gente fina. E as praias de Cabo Frio, melhores. E olha que morei no Rio por um ano. Mas enquanto o Rio tiver essa herança e se prender tanto a ela (até porque, se eles não se prenderem à herança cultural, não têm muito a que se prender), eles vão ser famosos asssim.
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